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Ofício das Raizeras e Raizeros do Cerrado

Registro do ofício de raizeiras e raizeiros do Cerrado como patrimônio cultural imaterial

A proposta do pedido de registro do “Ofício de Raizeiras e Raizeiros do Cerrado” como um patrimônio cultural imaterial teve início após o 4ª Encontro de Parteiras, Benzedeiras e Raizeiras do Cerrado, realizado em 2004, na cidade de Goiás (GO). O encontro foi promovido pela Articulação Pacari em parceria com várias organizações da sociedade civil.

Planta_florida_out2008 173

Em 2005, a Articulação Pacari iniciou os contatos com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, com o apoio da Sra. Cristina Maria do Amaral Azevedo, então coordenadora técnica do Departamento do Patrimônio Genético do Ministério do Meio Ambiente – MMA, com o objetivo de iniciar a instauração do processo administrativo de solicitação do registro.

Em abril de 2009, a Articulação Pacari, representada por sua personalidade jurídica, a Associação Pacari, e com anuência de raizeiras e raizeiros, representantes do ofício que mantêm vivas as práticas tradicionais relacionadas ao cuidado com a saúde e manejo de ambientes naturais, apresenta formalmente o pedido de registro ao IPHAN.

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Ainda em 2009, a Articulação Pacari celebra uma parceria com a organização não governamental A Casa Verde, e juntas, apresentam o projeto “Ofício de Raizeiras e Raizeiros do Cerrado: levantamento preliminar” ao IPHAN, sendo A Casa Verde, a entidade proponente do mesmo.

Raizeiro coletando Arnica – Vale do Jequitinhonha, MG

O projeto se constitui em uma pesquisa participativa sobre os saberes e fazeres do ofício de raizeiras e raizeiros do Cerrado. O objetivo é conhecer a realidade desse ofício, ou seja, como raizeiras e raizeiros aprendem a manejar e fazer o uso das plantas medicinais; o que pensam e sentem em relação às suas práticas de cura; qual o papel das rezas e benzimentos; como é feito o preparo dos remédios caseiros; quais são, hoje, os principais desafios para a continuidade do ofício, dentre outros aspectos.

O projeto foi realizado em seis etapas:

  1. Identificação e articulação de raizeiras e raizeiros nas regiões do Cerrado de Minas Gerais e Goiás, bem como de demais atores sociais relevantes;
  2. Levantamento e organização de material bibliográfico e audiovisual já produzido sobre o tema (livros, folders, vídeos etc.);
  3. Entrevistas e filmagem com raizeiras e raizeiros;
  4. Socialização, análise e sistematização participativa do levantamento preliminar de informações sobre o ofício;
  5. Produção do texto descritivo sobre o ofício, com base nos resultados da pesquisa;
  6. Edição final e participativa dos produtos do projeto (texto descritivo do ofício, vídeo e site para divulgação dos resultados da pesquisa).

O projeto foi concluído em outubro de 2011, e os seus resultados serão apresentados ao Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural para decisão sobre a pertinência ou não do registro do ofício como um bem cultural imaterial.



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